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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Programas, preocupações e realidade, faltam 4 dias...



Este foi o último final de semana antes dos Jogos Olímpicos de Pequim e para os felizardos assinantes da TV paga, tiveram a oportunidade de deliciar-se com um monte de programas olímpicos. Estava de folga e passei o domingo todo vendo programas olímpicos, desde filmes oficiais, até programas nacionais e internacionais, estava para todos os gostos.
Dentro das dezenas de programas que assisti durante o final de semana (aproveitando a tão esperada chuva) houve dois em particular que me chamaram muito a atenção. Um deles era um programa chamado Escândalos Olímpicos – Doping e o outro foi uma matéria dentro do Esporte Espetacular com André Domingos, medalhista de Prata em Sidney 2000 com o revezamento 4x100m.

André Domingos era foco de uma matéria do Esporte Espetacular que de cara mostrava seu principal argumento, o Tempo (já que o atleta esta em final de carreira). André estava tentando uma vaga no revezamento que estará em Pequim e a globo foi “transmitir” a última chance desse ícone do esporte nacional.
Com falas emocionantes e imagens (muito bem editadas) com a trilha sonora do Pink Floyd, foi quase impossível segurar as lágrimas, foi realmente emocionante. E foi justamente o tempo que o deixou de fora, foram 20 centésimos de segundo que deixaram o veterano fora de Pequim.
Após o revés André anuncia sua aposentadoria, a data já esta marcada, será ano que vem após o campeonato mundial de 2009.
O outro programa já não tinha um tema tão comovente, tão puro quanto o coração desse corredor brasileiro. Escândalos Olímpicos, Doping, era o nome do programa e nele já dava para perceber que o tema seria denso.
Uma produção internacional que passou no Sportv, onde mostrava os absurdos do doping na Alemanha Oriental nos anos 70.
A Alemanha Oriental era governada por um regime comunista que visava mostrar ao mundo sua superioridade (principalmente com respeito a sua vizinha Alemanha Ocidental). Um dos melhores campos de batalha era as piscinas, quadras, raias, todas as arenas esportivas.
Mas os comunistas alemães não podiam correr riscos, necessitavam e desejavam a vitória a qualquer custo. Para isso criaram um programa de doping, para isso foram recrutados os melhores médicos, cientistas, técnicos e atletas, estes sem saber onde estavam entrando.
Os militares junto de sua “equipe médica” desenvolveram diversos compostos químicos que visavam a melhora de performance, sem (claro) que os atletas fossem pegos nos exames antidoping.
A dopagem era sistemática e toda controlada, cada atleta (independente do esporte) era “cadastrado” com um número e em uma planilha eram anotados todas as drogas tomadas e a evolução do atleta.
O mais impressionante foi a entrevista de uma campeã olímpica (dias de hoje) que conta como eram tratadas na época que treinavam. Contaram que no início de sua carreira, treinava muito e sempre ficava exausta. Um certo dia, os técnicos começaram a dar a elas (equipe de natação) pílulas de pois dos treinos, não podia-se perguntar o que era, muito menos recusar-se.
Com uma lavagem cerebral, inocência e medo de punições, todas as atletas tomavam os “suplementos” esportivos. Com o tempo foram percebendo mudanças nos resultados, mas para essas meninas (na época a campeã que é entrevistada tinha apenas 15 anos) tudo era natural, parte do treino.
Mas com o passar do tempo os efeitos colaterais dos esteróides e dos hormônios masculinos começaram a aparecer, pelos por todo corpo, a voz ficou mais grossa, barba, queda de cabelo, crescimento desproporcional das mãos, pés e do maxilar deixaram aquelas meninas parecidas com homens.
Hoje essas meninas cresceram e todas têm problemas graves de saúde, como problemas hepáticos ou renais, problemas nas articulações e ossos, e câncer. Outro problema comum é a depressão e a aparência delas. Todas com traços muito masculinos, para resumir, são mulheres com corpos de homens.
Um caso extremo de uma lançadora de peso que foi tão abusada na questão do doping que virou um homem. Hoje, ela virou ele, após de uma operação para trocar de sexo.
Na China esta previsto que sejam flagrados pelo menos 45 casos, já que na última olimpíada foram registrados 15 casos com a metade dos exames que estão prometidos para Pequim. Nesta edição dos Jogos serão realizados 4.500 testes.
Mas o que me deixou indignado foi que em Montreal 1976 e Moscou 1980 nenhuma nadadora, ou outra atleta da Alemanha Oriental foi pega no doping, por que eles tinham desenvolvido drogas que não podiam ser flagradas na época, e isso não pode ser feito hoje?
EUA e China são líderes mundiais nos esportes, na economia e são também líderes em tecnologia, que travam uma guerra silenciosa, não poderiam utilizar manobras parecidas com as do passado?
Outra preocupação que me surgiu e tenho que assumir que é bem paranóica, é quanto à falta de liberdade de expressão e de noticias na china, afinal se houverem casos de doping na equipe chinesa, será que os laboratórios chineses (são laboratórios do país vermelho que realizarão os testes) vão denunciá-los ou não? Afinal que vai saber...

Um verdadeiro ídolo.

Dignidade e Honestidade, essas palavras são importantes no mundo do esporte. Mais do que serem apenas aprendidas, elas devem ser compreendidas e sem duvida fazer parte da vida de um atleta (e além do esporte, “elas” devem ser empregadas para cada ato pessoal e profissional).
Mas em um mundo de DOPING (no esporte), onde as barreiras da ética e como não repetir, da dignidade e da honestidade foram quebradas a muito tempo, ainda surgem alguns “heróis” que resistem não só a estúpida “tentação” de vencer a qualquer custo, mas que condenam publicamente e tomam decisões importantes para confrontar esse novo sistema ridículo.
O nome do momento, é o multi-campeão olímpico Michael Johnson, dono de 5 títulos olímpicos, veio a mídia combater e confrontar o doping.
Durante essa semana, um de seus parceiros no revezamento 4x100m rasos, vencedor da penúltima edição dos Jogos em Sidney 2000, assumiu que competiu dopado, mesmo não tendo sido pego pelos exames que VISAM BARRAR ESSES “ATLETAS”.
Em um ato muito bacana, Johnson se disse “profundamente decepcionado e triste ” com a atitude do colega e resolveu devolver a sua medalha ao COI:
"Sei que a medalha não foi conquistada honestamente, está manchada. Vou tirá-la do local onde sempre guardo todas minhas medalhas porque ela não tem nada para fazer ali. Não me pertence. Vou devolvê-la ao COI, pois não a quero", afirmou Johnson, em entrevista publicada no SITE UOL Esportes.
O atleta ainda assume (na mesma entrevista) certa inocência quanto à dopagem em seu esporte:
"Estes últimos seis anos, desde que os escândalos de doping começaram, defendi o esporte com vigor. Insisti que os atletas estavam mais controlados do que em qualquer outro esporte, mas agora tenho a impressão de ter sido ingênuo”.
Johnson que nunca foi pego em nenhum exame antidoping, foi recordista dos 200m e 400m, sendo que ainda detém os recordes mundiais nestas provas.
Pena que nem todos têm a capacidade de ser “apenas humanos”, de treinar, de enfrentar as dificuldades e procurar crescer e aprimorar suas habilidades, de ser honesto e digno para poder ser considerado um Atleta!
Parabéns ao atleta americano, um ídolo do esporte mundial e que agora com toda a certeza, é ainda mais!
OBS: O atleta que assumiu ter competido dopado entre os anos de 1997 e 2003, Antonio Pettigrew, entregou no dia de hoje sua medalha olímpica e todos os prêmios conquistados no período que competiu de forma ilegal. Notícia publicada no Site UOL Esportes
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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Polêmica à parte, o Maior de todos!


Percebi que esta acontecendo uma discussão sobre o tema de doping e sobre um atleta que é admirado pelo mundo todo, o ciclista heptacampeão do Tour de France, a competição mais difícil da modalidade, Lance Armstrong.
Lance teve realmente um problema com doping, em 2005, foi acusado de ter utilizado a droga EPO (Erythropoietina), que atua na produção de glóbulos vermelhos que são os responsáveis pela troca de oxigênio melhorando assim o desempenho físico. Esse hormônio é produzido naturalmente pelo corpo, mas se ingerido o hormônio produzido fora do corpo, caracteriza o doping.
No caso de Lance, o doping por uso desta droga foi divulgado pela WADA (responsável pelos exames antidoping internacional) no ano de 2005, mas era referente à competição de 1999 durante a volta da França onde o atleta conquistou sua primeira vitória.
A grande polêmica que envolve este caso é devido por que em 1999 não existia uma tecnologia para detectar o uso de EPO além de que não era considerada na época doping. Os exames que foram divulgados em 2005 foram realizados através de amostras de urina do atleta que estavam congeladas.
Existe toda uma turbulência quanto ao caso no mundo do ciclismo, a maioria dos atletas o apóiam por sempre terem o admirado, até por história de vida como pelas incríveis conquistas.
Também foram criados comitês especiais para avaliar o caso, pela UCI (União Internacional de Ciclismo) que determinaram que a WADA havia cometido um grave erro. Em 2006 Lance foi totalmente absolvido das acusações de doping.
Lance foi um atleta incrível durante toda sua carreira. Quando ainda jovem aos 13 anos venceu uma tradicional prova de triátlon para jovens nos EUA, Iron kids Triathlon, iniciando uma carreira vitoriosa.
Aos 21 anos de idade, venceu o Campeonato Mundial de Ciclismo de Estrada. No ano seguinte da conquista do Mundial, Lance venceria sua primeira etapa na Volta da França, feito que realizaria novamente no ano seguinte.
Lance ainda foi 6° em Atlanta, na prova contra o relógio e na prova de estrada ficou apenas com a 12° colocação, que em 2000 em Sidney transformar-se-ia em um bronze.
Em 1996 Lance passaria pela sua prova mais difícil. Depois de perceber uma inflamação no testículo, Lance passou a sentir muitas dores para treinar, porém sempre teve o costume de ignorar a dor, trunfo para qualquer atleta, mas nesse caso foi um complicador.
Lance apenas visitou um médico após de sentir muita tontura e vomitar sangue, onde foi diagnosticado um câncer nos testículos além de ter sido encontrado dois tumores, um no pulmão e outro no cérebro. Depois de um ano muito difícil e de passar por exaustivas e destruidoras sessões de quimioterapia, Lance se livrou do câncer e pode voltar à vida.
Lance voltou a treinar. A bicicleta sempre foi sua paixão e logo voltou às competições. Realmente é incrível a força de vontade desse atleta. Vencer o câncer, voltar à vida (suas chances de sobrevivência eram de 40%) e ainda voltar a competir, era simplesmente impressionante.
Lance só não voltou a competir como também voltou muito bem, vencendo em 1999 a sua primeira volta na França (onde é discutido o uso de doping). Depois impôs uma seqüência de 6 vitórias consecutivas no Tour de France, conquistando o inedito titulo de heptacampeão. De 1999 a 2005 quando se aposentou.
Lance passou por muitas equipes, mas a que lhe mais apoiou foi uma equipe formada pelos Correios Americanos que lhe patrocinou por anos. Em seu último ano integrou a milionária Equipe da Discovery.
Apesar da denúncia de doping pelo uso de EPO como já foi citado, nunca mais foi acusado de utilizar drogas e seus testes antidoping foram considerados limpos pela WADA e pelos organizadores do Tour.
Lance Armstrong para mim sempre foi um exemplo de perseverança e raça, em uma época da minha vida de atleta, passava por enormes problemas de motivação, próximo de uma competição importante, foi quando encontrei um livro escrito por ele, “De volta a vida”, que me ajudou a reencontrar minhas energias e força de vontade que me valeram um titulo nacional.
Além de um grande atleta, é um grande ser humano, muito do seu dinheiro que antes era usado para comprar Porches e casas, hoje é usado em seu projeto de ajuda a crianças com câncer, tentando ajudar aqueles que enfrentam essa terrível doença.
Recomendo a todos que deixem eventuais pré-conceitos e leiam o livro “De volta a vida”, vale muito a pena, para conhecerem mais desse incrível atleta e de sua história de vitórias.

Tragédia ou trapaça?


Sempre quando falamos de doping o assunto se torna polemico. Durante este feriado prolongado de finados tivemos a divulgação de mais um caso triste de doping (ainda sem ter sido confirmado).
Dessa vez a atleta envolvida é a espetacular Rebeca Gusmão. Primeira nadadora a ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos. No Rio 07, ela conquistou duas medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze, ajudando a equipe Brasileira a realizar a melhor participação da história da competição.
Testosterona. Esse foi o problema constatado pelo órgão internacional, FINA, que fez o exame após a participação dela nos Jogos.
A testosterona é um hormônio masculino, porém é produzido também no organismo feminino. Existem mulheres que possuem uma anomalia na produção desse hormônio, quando isso acontece o corpo naturalmente pode produzir mais ou menos este hormônio.
No esporte, essa quantidade superior ao normal trás benefícios em termos de rendimento por que a mulher acaba tendo um aumento da massa muscular, ficando mais forte.
No caso da Rebeca a testosterona encontrada tinha origem exógena, ou seja, foi ingerida pela atleta e não produzida naturalmente, o que caracteriza o doping.
A confederação brasileira de desportes aquáticos, CBDA, já tomou uma posição defensiva, cortando Rebeca da copa do mundo de piscina curta que vai ser realizada em Moscou.
A atleta ainda vai recorrer como é de costume e possível pelas regras da instituição internacional, mas ainda a atleta não se manifestou à imprensa a respeito deste caso.
Seria uma pena, caso se confirmasse o uso de doping, por que Rebeca tem provado ser uma ótima nadadora, enfrentando sérios problemas, como a asma que lhe deixa sempre em condições assustadoras no final de cada prova. Basta ter assistido a prova dos 50 metros no Pan, ela deixou a piscina roxa, por falta de ar.
Tragédia ou trapaça? Sempre é esse o primeiro pensamento quando vemos uma noticia desta. Ao longo do Pan-Americano, Rebeca Gusmão chamou a atenção de muitos pelo seu tamanho, seu desenvolvimento muscular.
Mas por que não poderia ser de um trabalho bem feito? De um treinamento apropriado? Mas agora resta a duvida para todos, será que não é a tal da testosterona?
É uma pena que mais uma vez temos caso de doping, ainda mais dentro de casa, com uma atleta que estava se destacando... Mas ainda existe uma chance, tomará que a contra prova seja negativa. Vamos torcer.

A Maldição das Drogas no Esporte.



As vezes me pergunto o que leva um ATLETA utilizar substâncias para melhorar seu desempenho em competições. Será por causa de uma pressão exterior? Será ganância? Será por uma limitação psicológica?
O uso de doping por atletas não é um assunto novo, mas sempre esta na mídia, às vezes com ícones do esporte ou até mesmo com atletas que não são destaques no mundo dos esportes.
A bola da vez é a velocista americana Marion Jones que assumiu ter usado esteróides na preparação para as olimpíadas de Sidney em 2000, onde conquistou 3 medalhas de ouro e 2 de bronze.
Conquistou 5 medalhas olímpicas? Não! Ela trapaceou e colocou mais uma mancha de vergonha na historia das olimpíadas.
Os processos contra ela, que envolvem o fato dela ter mentido em juízo quando questionada por uso de drogas (que podem lhe render até 6 meses de prisão) e o uso de drogas ilícitas, ainda estão em seu processo final.
Depois de uma pressão do comitê olímpico americano Jones entregou as medalhas conquistadas em Sidney e pediu desculpas as adversárias, pedindo também que os recordes atingidos por ela fossem apagados e os méritos entregue as suas adversárias.
Segundo o depoimento da “atleta” a culpa é de seu Técnico que segundo ela, ele oferecia a ela as drogas dizendo que era um óleo de sementes e que ela apenas percebeu que estava sendo drogada 3 anos depois em 2003.
Ela e o marido, e o jogador Barry Bonds liga americana de beisebol, atual recordista de Home runs, estão ligados a um laboratório chamado Balco, que produzia esses esteróides que não eram detectados nos exames antidopings. Estes esteróides são conhecidos como “The Clear”.
Até quando teremos que lidar com esses tipos de atletas? Até quando veremos essas trapaças? Será que essas pessoas não conseguem entender que o esporte é para pessoas que tem coração, um coração de atleta, onde a superação NATURAL é a maior das vitórias?
É uma pena que ainda existam esses casos, mas o importante é que sejam desmascarados e punidos.
Claro que não se pode generalizar, por que existem casos que são suspeitos. As listas de substâncias proibidas pelo COI (comitê olímpico internacional) sempre estão aumentando deixando muitas vezes atletas sem poder tomar um remédio para gripe ou passar uma pomada para aliviar a dor muscular causada pelos treinos.
Mas não é difícil perceber a diferença daqueles que são gananciosos e daqueles que se intoxicaram com substancias por acidente ou descuido. Esses que procuram a vitória a qualquer custo, não percebem que estão trazendo agravos a própria saúde e a saúde do esporte.