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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Troféu Bandeirantes de Remo e Virada Esportiva.

Banner feito por Petrus Pomme

Bom dia galera do Blog Olímpico!!!

Sei que minhas atualizações andam meio devagares, mas não se preocupem, ainda tem muita coisa para sair... muitos textos estão sendo preparados, e logo mais serão publicados...

Queria avisar-los que nesse sábado, acontecerá na raia olímpica da USP, mais uma edição do mais tradicional campeonato de remo em São Paulo, o Troféu Bandeirantes.

Este é um campeonato diferenciado, por que é realizada uma única prova, no barco de 8 com timoneiro, sendo assim, os melhores atletas paulistas estarão reunidos, diputando o troféu. Este ano, a prova terá 4 barcos, representados pelos seguintes clubes: Pinheiros (atual bicampeão da prova), Paulistano, Corinthians e CEPEUSP.

Além da tradição envolvida neste campeonato, o Troféu Bandeirantes fará parte da programação da Virada Esportiva, que tem início nesse sábado e termina do domingo (varando toda a madrugada), onde estão programadas inúmeras atividades espalhadas pela cidade de São Paulo, vale a pena conferir!!!

domingo, 26 de outubro de 2008

3° Troféu Brasil de Remo Unificado – Final.



Foram 6 dias interruptos de competições na raia olímpica da USP, mas ontem, sábado 25 de outubro, o 3° Troféu Brasil de Remo chegou ao seu final.

Foi um campeonato marcado por muitas coisas, entre elas, podemos destacar algumas coisas boas e outras nem tanto. Do lado bom, como sempre, está atrelado aos atletas que deram um show de força de vontade, técnica e raça, correndo sempre com total empenho suas provas.

Agora, outras coisas não saíram tão bem, principalmente por conta da própria confederação, que em ano eleitoral marcou o campeonato com atitudes suspeitas, afinal, a disponibilização de barcos (os “intocáveis barcos italianos”) para todos, foi um tanto quanto incomum.

A grande realidade é que o campeonato nacional foi marcado por uma “extrema politicagem”, todos os presentes puderam sentir um clima meio pesado no ar, e isso ainda ficou mais presente quando um grupo da oposição manifestou-se contra a Confederação.

Muitos aderiram inclusive o que aqui escreve, com camisetas levando uma nova ideologia, uma “Nova CBR” estampada no peito. O circo pegou fogo. Afinal de contas, já são quase 17 anos do mesmo governo no remo e os resultados não apareceram, esta na hora de mudar, mas com certeza essa manifestação comandada pelos clubes de São Paulo e do Sul não “ficará impune” caso a situação se reeleja (como sempre nesse país).

Bom, voltando a parte boa, podemos destacar sem a menor dúvida a evolução do remo paulista, que deu um show no campeonato. O Clube Atlético Paulistano ficou com a 3° colocação no geral (resultado extra-oficial) com 4 ouros, 3 pratas e 2 bronzes, e ainda somado com os resultados obtidos pelo Esporte Clube Pinheiros, a soma fica ainda melhor. O Pinheiros conseguiu 2 de ouro, 3 de prata e 1 de bronze. O Bandeirante teve uma medalha de cada e o Corinthians fechou o campeonato com uma de bronze.

O grande campeão do campeonato foi o Vasco da Gama, que conquistou 9 ouros, 7 pratas e 4 bronzes, levando para o Rio o Bicampeonato Brasileiro, deixando mais uma vez o clube gaúcho Náutico União com a segunda colocação (lembrando que não existe uma premiação oficial ao clube com maior vitórias, é uma contagem extra-oficial, um campeonato moral).

Dentro das conquistas paulistas no último dia, tenho que destacar o bicampeonato de Luciana Granato no Single Skiff Peso Leve, remadora do Paulistano, que venceu com certa folga a prova. Luciana foi a Pequim, junto de Camila Carvalho, no Double Skiff Peso-Leve. Camila (Vasco) também disputou a prova, ficando com a 2° colocação e Ana Pallassão (Paulistano) fechou o pódio com o 3° lugar.

Também no último dia de competições, o 2 sem timoneiro campeão brasileiro Sub-23 deste ano, dos remadores Renan e João (destaque da matéria do dia 23/10) disputaram a prova na categoria Sênior, e conseguiram uma suada segunda colocação. Travaram uma briga infernal com a guarnição do Clube Pinheiros e também do Vasco da Gama, estes chegaram na 3° e 4° colocação respectivamente.

Apesar dos pesares, como foi dito no começo deste texto, o campeonato, ainda que cheio de falhas e disputas extra-raia, foi de um ótimo nível graças aos atletas brasileiros, que ainda levam muito a sério este campeonato.

Graças a eles, o remo brasileiro ainda há de evoluir, basta a cartolagem parar de “brigar” entre si e começar a fazer algo sério pelos protagonistas do esporte, os atletas.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Troféu Brasil de Remo – Sobrevivendo ao Inferno.

Renan e João do Paulistano - Campeões no 2- Sub 23


O troféu Brasil chega a seu 2° dias de finais. E por enquanto os cariocas do Vasco da Gama vão levando vantagem na soma das vitórias, já são 6 vitórias, contra as 3 vitórias do União e do Paulistano. Mesmo não existindo uma premiação geral, já é uma tradição a contagem das vitórias, onde de forma extra-oficial se determina o campeão do evento.

O paulistano hoje teve mais uma grande vitória na prova do 2- Sub-23. Esta prova é do Paulistano desde 2002, quando eu e meu ex-companheiro de barco Panayote Damilakos vencemos pela primeira vez. Porém hoje o 2- Paulistano é muito bem representado pelos “invencíveis” e integrantes da seleção brasileira Renan de Castro e João Pallassão. Eles defendem o título da prova desde 2005.

A prova que participei foi super disputada, até os metros finais. A briga foi pelo terceiro lugar da prova do Single Skiff Homens (prova individual de peso aberto), porém mesmo com todo meu esforço fui derrotado pelo meu companheiro de clube Marcelo Campos, que ficou com o Bronze, dando a primeira medalha ao Bandeirante nesse evento.

Mas ainda temos outro dia de competições, amanha (sexta-feira) serão realizadas as últimas eliminatórias para que sábado aconteçam as últimas finais e o encerramento de mais um torneio nacional. Ainda tenho chances de subir ao pódio, agora eu e meu companheiro Marcelo temos uma tarefa difícil pela frente, um Double Skiff Pesado... Mas como dizem por ai.... Vamos que vamos...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Do Céu ao Inferno...



Acho que não dava para ser pior...
Essa é a frase que encontrei para descrever meu desempenho hoje. Sabe quando vemos atletas dando entrevistas dizendo, “hoje não era meu dia”, pois é, não sou muito chegado nesse tipo de desculpa, mas hoje, não foi meu dia.
Já comecei o dia mal, não consegui remar bem a eliminatória, onde classificavam os 3 primeiros de uma série de 5 barcos, coisa rara no remo, onde geralmente classifica-se nessa fase apenas o primeiro. Apesar da “moleza”, consegui ficar em 4° lugar e cai para a repescagem.
A repescagem foi embaixo de muito sol e ar seco, ao 12h20min (incrível como no esporte essas coisas acontecem, santa ignorância), consegui me classificar, vencendo a única bateria, podendo então disputar as semifinais da tarde, onde mais uma vez, me encontraria com um destino, um tanto quanto amargo.
Cai (talvez) na chave mais complicada, e não deu outra, um 5° e amarguíssimo lugar, e pela primeira vez na minha vida, fiquei de fora de uma final de campeonato (classificavam-se mais uma vez os 3 primeiros).
Do céu ao inferno em um dia. O pior é olhar para trás e ver o quanto me dediquei, o quanto treinei para essa competição (sempre o primeiro a entrar na água e o último a sair) e simplesmente ter um resultado pífio assim. Quando me perguntam a causa desse resultado, simplesmente não consigo explicar, encontrei o conforto de uma resposta na frase já mencionada acima, hoje não era meu dia...
Como diz meu ídolo Balboa, o importante, não é o quanto você bate, mas sim o quanto você agüenta (apanhar) e continuar em pé, é quanto você agüenta, cai e levanta e continua... Acho que nunca sofri uma “porrada” tão grande, uma frustração tão intensa, mas amanha tenho que levantar-me cedo para poder alinhar meu barco, para a disputa de uma inédita Final B (do 7° ao 12°), esquecer do sonho dourado de um retorno triunfal, que me motivou o ano inteiro (uma medalha nesse torneio), e tentar reerguer a cabeça, continuar...
ps: a imagem é do remador Rob Waddell, campeão olímpico em 2000, retirada no site oficial da seleção da Nova Zelandia de Remo, achei perfeita para ocasião, nem é preciso explicações né?!

Primeiro dia - Troféu Brasil de Remo.


Fala galera do Olímpico...

Não tenho muito tempo para contar a todos como foi a primeira manhã no campeonato nacional de remo, por que daqui a pouco saio novamente para a Raia Olímpica da USP para disputar as semifinais do Single Skiff Peso Leve, mas posso adiantar que na manha de hoje foram realizadas boas provas, porém todas pertencem a 1° fase, ou seja, foram todas eliminatórias.

Deixo um link com todos os resultados do dia, sei que não é a mesma coisa que ler um texto discritivo sobre tudo que aconteceu, mas pelo menos, podem acompanhar um pouco o que esta acontecendo na USP.


Abraços

Ps: Assim que tiver outra oportunidade posto mais novidades sobre o evento!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

3° Troféu Brasil de Remo Unificado.



Esta chegando a hora do mais importante campeonato de remo em nosso país, claro, estou falando do 3° Troféu Brasil de Remo Unificado, que será realizado na próxima semana, dos dias, 20 a 25 de outubro.
Já faz três anos que a CBR (Confederação Brasileira de Remo) resolveu juntar em apenas um campeonato todas as categorias do remo brasileiro, Junior, Sub 23, Sênior (peso-leve e aberto) em ambos os sexos. Mas neste ano teremos 2 novidades.
Uma delas será o Torneio Novos Talentos, que visara à preparação de uma nova equipe para uma futura competição internacional promovida pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), os Jogos da Juventude, que será como uma espécie de Jogos Olímpicos Juvenis.
A outra novidade será a inclusão de 2 provas do remo adaptado ou paraolímpico, ambas serão disputadas no canoe, barco semelhante ao utilizado pelos remadores paraolímpicos em competições internacionais. As provas serão realizadas tanto no feminino quanto no masculino, com presença de remadores olímpicos.
Bom o lado ruim de um campeonato com tantas provas (serão disputadas 32 provas, sendo que boa parte destas terão fases eliminatórias) é que ele será realizado durante a semana, o que dificulta e muito a presença do público.
O ideal seria que as finais fossem disputadas no final de semana e as fases eliminatórias durante aos dias da semana, porém por motivos técnicos de dobra de atletas (participação em mais de uma prova) boa parte das finais serão realizadas durante os dias de semana, uma pena.
Bom quem quiser saber mais sobre os horários de competição, recomendo que acesse o site da Confederação Brasileira de Remo na coluna de link na lateral direita do blog.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Amor ao Esporte.

Foto retirada no site www.worldrowing.com

Qual é para você, o fator mais te motiva?
Bom, dentro do esporte esse fator, ou fatores, são fundamentais e fazem toda a diferença. São esses fatores (motivantes) que levam determinados atletas ao seu limite e alguns deles são fortíssimos.
Durante a 1° Copa Pinheiros de Remo, pude presenciar um desses grandes fatores. Foi durante a semifinal com um remador júnior do Rio Grande do Sul, do Guaíba de Porto Alegre (GPA), um clube muito tradicional, porém que vive uma fase difícil, já que regionalmente e nacionalmente, o Náutico União tem maior destaque. Esse remador se chama Denis Araujo (atual campeão brasileiro de sua categoria).
Antes da largada, enquanto esperávamos todos amontoados já em nossos barcos a liberação da raia, ele falou com outro competidor as seguintes palavras:
- Essa é a nossa chance de vencer-los, (...) eles remam pelo dinheiro e nos pelo amor ao esporte (...)!
Naquele momento, sabendo que era ele o meu principal rival para a classificação à final do evento, pensei comigo, como vencer um cara desses? Mas durante o aquecimento, cheguei a conclusão que estou no esporte pelo mesmo motivo, não é pela grana, mas sim pelo amor ao esporte.
Foi uma batalha duríssima (ler o texto no blog Pão na Chapa*), mas que no final, independente de quem cruzou a linha de chegada, foi o amor ao esporte que venceu.
O remo é um esporte cruel, onde as oportunidades são raras e quase sempre aparecem para aqueles que não as merece. Um esporte repetitivo e que muitas vezes beira o insuportável, mas são fatores como este, que fazem alguns atletas levantarem todos os dias na madrugada para treinar.
Sei que o remo não é o único esporte que carrega essa sina, alias gostaria de saber qual esporte competitivo de alto rendimento não é assim? Sem alguém souber me avisa ok?
Amar aquilo que se faz, ser feliz em meio de tanta loucura, em meio a tanto esforço, será que ainda estou falando só do esporte? Acho que não, amar é o segredo da vida, não é para mal que tantos poetas escreveram sobre o amor ao longo da história, não é para mal que desde os tempos das cavernas, vemos pinturas rústicas de homens com suas mulheres, juntos.
Amar a sua amada (o), a sua família, amar sua profissão, amar a tudo e a todos, tem que ser esse, sempre, o nosso principal fator motivacional, nunca podemos trocar as posições, por que afinal, nessa equação da vida, a ordem dos fatores definitivamente, influência no resultado final.
E quando achamos que já sabemos tudo (nesse caso especifico do remo), vemos que temos muito a aprender, muito a entender sobre o nosso mundo... Estejam sempre abertos a esses momentos de descoberta, afinal um “garoto” pode ter muito a ensinar, e dar-te uma lição de vida com apenas uma frase.

* No Blog Pão na Chapa, meu amigo e professor Zé Augusto descreveu justamente o dia desta semifinal e escreveu com tamanha maestria e emoção que nem me atrevo em contar a mesma parte da história, então, acessem
http://zeguto.blog.uol.com.br/ e desfrutem de um belíssimo texto.

Copa Pinheiros de Remo.


Nesse próximo final de semana, na raia olímpica da USP, o Esporte Clube Pinheiros estará promovendo um campeonato de proporções inéditas para o remo paulista.
Em uma alusão a um antigo campeonato chamado Fita Azul do Remo Brasileiro, que era promovido pelo Clube Espéria, o Pinheiros incrementou-o, transformando este antigo campeonato em algo muito mais moderno e com um nível altíssimo de competidores.
Esta nova versão da Fita Azul, organizada pelo Pinheiros foi batizada de COPA PINHEIROS DE REMO.
Neste campeonato apenas participarão remadores de Skiff’s, barcos individuais, em três categorias: Junior, Sênior Peso-leves e Sênior Absolutos (sem limite de peso). Em ambos os sexos. Porém todas as categorias competirão entre si, dessa forma serão conhecidos no final do campeonato os campeões gerais (de cada sexo) e os campeões de cada categoria.
Além disso, o Pinheiros oferecerá de forma inédita premiação em dinheiro para os três primeiros classificados no masculino e no feminino (sem diferença de valores) e mais prêmios para os vencedores de cada categoria.
A COPA PINHEIROS DE REMO iniciará nesta sexta, na raia olímpica da USP, a partir das 9 horas da manhã e continuara por todo o final de semana, tendo as finais no domingo, também começando as 9 horas da manhã.
A entrada é franca, e vale muito a pena assistir este campeonato que esta prometendo ser um divisor de águas do remo paulista e também, brasileiro.

Final do Mundial Sub-23 de Remo.


O campeonato mundial de remo Sub-23 que vinha sendo realizado na Alemanha chegou ao seu final. Para nossos meninos brasileiros o campeonato acabou no sábado, com as finais C que definiam as posições entre 13° e 18° colocados.
Depois de ter passado pela eliminatória, repescagem (que por meio segundo não conseguiram a classificação para a principal semifinal), semifinal C/D, finalmente chegaram a final.
Com um forte vento contra, a dupla brasileira composta por Renan e João travaram uma luta particular com um barco da Eslovênia, onde até a metade da prova o barco brasileiro ficou na frente por um segundo, mas depois o barco adversário conseguiu a dianteira, mas com a mesma diferença de um segundo.
A Dupla brasileira fechou à competição com o 16° lugar (4° colocação na final C) depois de terem enfrentado grandes seleções e fortíssimas regatas. Ainda não entrei em contato com eles, para saber como eles estão após dessa primeira experiência em mundiais, mas imagino que esteja satisfeitos por que lutaram muito e conseguiram estar sempre junto dos melhores.
A prova do Dois sem timoneiro foi vencida pela equipe Grega e em segundo lugar um representando da America do Sul, com uma dupla Argentina (melhor resultado do país vizinho no campeonato).
Já no Single Skiff, Ailson Silva, representante brasileiro, fechou com a 15° colocação, chegando na terceira colocação na final C. Ailson é uma promessa do remo brasileiro, que deve dar bom resultados para o país em um futuro próximo, principalmente quando for escrito corretamente nos campeonatos, já que o Brasileiro é Peso-Leve e foi inscrito no Peso Aberto.
No final desta semana será a vez dos Junior do Brasil, competir em águas mundiais, e assim como foi feito com os rapazes do sub-23, o Blog Olímpico estará de olho nos resultados e assim trazendo as informações atualizadas.

Regata Tigre, Argentina


Chegamos à cidade do Tigre na terça feira dia 24 de junho no final da tarde. Fomos (eu e meu treinador, Acácio) recebidos por um remador Master e membro do comitê organizador da regata, chamado Gabriel. Sujeito muito bacana, que nos ajudou muito durante nossa estadia na Argentina.
Fizemos um pequeno tour pela cidade, paramos para comer e às 20 horas caímos na cama, exauridos pela viagem, no alojamento de um clube chamado Hacoaj, no Tigre. Um clube de origem judaica que é simplesmente enorme.
Acordamos no dia seguinte, cedo, com grande disposição, conhecemos o clube e também o barco que eu iria usar na competição que iniciaria no sábado. Era um bom barco, de marca argentina, similar com o que eu uso aqui no Brasil.
Logo fui treinar e conhecer a raia de competição, a Raia Nacional de Remo*, para chegar até ela, tinha que remar por um canal estreito, cheio de curvas e árvores caídas, deu trabalho para se acostumar, mas depois de alguns dias, já estava mais fácil a locomoção pelo riozinho.
A água da raia, provavelmente pela quantidade de sujeira e poluição era muito densa, sendo então muito “pesado” para remar, o que me custou acostumar. Tivemos que usar uma regulagem diferente no barco, para deixar mais leve cada remada.
Os dias foram passando e a competição se aproximando e finalmente o sábado chegou. Dia de eliminatória e repescagem. Estava fazendo muito frio, cerca de 5 graus no sábado de manhã. Minha eliminatória estava marcada para as 11 e 20, mas com uma forte neblina, a previsão era de atraso.
Fiz minha pesagem as 9 da manhã e fiquei aguardando a confirmação da prova. Em um problema absurdo de organização, ninguém foi avisado que a prova se mantinha em horário (apesar da forte neblina), e por pouco não perdemos a hora. Com o corpo completamente frio, sem o aquecimento adequado, acabei optando por uma estratégia de competição que consistia em simplesmente me guardar para a repescagem (evitando assim riscos de me machucar – lesionar).
Já na repescagem o cenário era completamente diferente, o sol tinha aparecido e estava mais quente. Cerca de duas horas depois da eliminatória entrei na água. Bem aquecido e determinado a me classificar (passavam a final apenas os 2 primeiros) a final, fiz a minha melhor apresentação do ano, realizando um ótimo tempo e fechando apenas meio barco atrás do primeiro colocado. Com o 2° lugar garanti a classificação para a final.
Domingo, dia de final e outra manha de frio e névoa que desta vez atrasou a regata em 2 horas. Minha prova estava marcada para as 15:00 horas, mas foi realizada cerca de uma hora e quarenta minutos depois.
Era uma linda tarde com sol e tempo bom. Sem vento a água estava em condições perfeitas de competição (exceto pela quantidade de lixo que tinha na água).
Estava na raia 6, raia do canto. Ao meu lado, tinha ótimos remadores argentinos e um remador uruguaio. De todos os remadores presentes nessa final havia 3 remadores de seleção (2 argentinos e o uruguaio).
A prova prometia ser muito difícil, como realmente foi, uma prova de excelente nível, foi disputada até os últimos centímetros. Até a metade da prova (1000m) estavam todos praticamente juntos, mas depois, a prova dividiu-se entre os 3 primeiros e os 3 últimos.
Encontrava-me no segundo pelotão, que lutou bravamente pelo 4° lugar. Acabei ficando com a 5° colocação, meio barco atrás do Uruguaio e meio barco a frente do 6° colocado. Na frente, venceu o vice-campeão argentino, remador do tradicional clube de remo Zarate, de Buenos Aires.
Foi à melhor regata que participei no ano. Deixei tudo que podia na raia, mesmo sabendo que no dia anterior tinha remado melhor em termos técnicos, no domingo cheguei ao limite físico.
Sem dúvida foi uma grande experiência, defender meu clube e meu país em águas argentinas mesmo sem ter conseguido uma medalha.
E agora que venha o Trófeu Brasil...
* O texto abaixo, comenta sobre a atual situação da raia nacional de remo argentina.

A cidade do Remo. Tigre, Argentina.


Como é bom poder viajar e conhecer novos lugares.
Essa viagem que fiz para a Argentina me apresentou muitas novidades, informações e experiências novas.
Estive na Cidade do Tigre, uma cidade vizinha a Capital Federal de Buenos Aires, Argentina. É uma cidade bem pequena que sobrevive de um delta (conjunto de rios, canais e ilhas) que é abastecido principalmente pelo rio Paraná. O turismo e os clubes esportivos da região são a maior atração que oferece a cidade.
É uma cidade que respira o esporte, o lazer e a qualidade de vida. Praticamente vazia durante os dias de semana, mas aos finais de semana, a cidade se transforma, recebe uma infinidade de turistas e pessoas que buscam um pouco de sossego do dia-a-dia da cidade grande.
É uma cidade também que respira o remo. Praticamente todas as pessoas da cidade usam barcos a remo (barco de passeio) para locomoção, até por que a maioria das ilhas não se pode chegar de carro ou com outro meio de transporte a não ser via rio.
Tive a oportunidade de ver diversas vezes pessoas, das mais diferentes idades usando os Canoes (barcos de passeio, que variavam de 2 a 4 tripulantes), para locomoção, esporte e lazer. Muitas vezes viam-se famílias com cestas de piquenique entrando em seus barcos a fim de desfrutar uma tarde tranqüila em alguma ilha do delta.
O Grande problema é que a maioria dos rios está contaminada. A poluição em alguns rios chega a ser impressionante, lembrando os nossos rios pinheiros e tiete. O rio mais poluído do delta é o rio Reconquista, que vem das províncias (estados) do oeste do país, captando lixo, esgoto e águas contaminadas de indústrias e justamente é esse rio que chega até a Raia Nacional de Remo.
A raia fica em um lugar afastado da cidade, onde os acessos de carro são através de ruas de terra, mas essa “distância” da cidade não trouxe benefícios a raia, e sim muitos problemas, principalmente ecológicos.
A raia é servida de dois rios, o Rio Reconquista e o rio Lujan, esses dois rios vem de direções opostas e a raia fica entre eles, ao meio. A “Raia” foi retificada pelo homem, com o propósito de desenvolver um local para a prática esportiva do remo.
A raia hoje se encontra em um estado de total abandono, extremamente suja e poluída dificulta muito a prática do remo. O grande problema é que em Buenos Aires é o único lugar “apropriado” para se treinar e competir, sem contar que também é a sede da Seleção Argentina de Remo.
Existem outras raias espalhadas pelo país argentino, mas nenhuma oferece tanto potencial como a do Tigre. Com uma concentração de clubes especializados em remo (cerca de 90% dos clubes da modalidade na argentina), a raia é vista como o centro do remo argentino, e por conta disso tem-se lutado muito para melhorar as condições da raia (entre atletas e dirigentes).
No final deste semestre foi liberada uma verba que esta em torno de 10 milhões de pesos (aproximadamente 5 milhões e 300 mil reais) para melhorar as condições da raia de remo. Tratando as águas, contendo e retirando o lixo acumulado e também represando a raia, para que deixe de ter contato com o rio Reconquista, principal fonte contaminadora.
Além disso, foi criado um projeto para que a raia se encaixe nos modelos FISA (instituição internacional que rege o esporte) para raias de competição de remo. Se conseguirem a raia do Tigre poderá receber eventos internacionais. Como potencial não falta, ( o lugar é maravilhoso) a argentina poderá com certeza realizar grandes eventos, mas falta ainda muito trabalho.
A verdade que a argentina respira outros esportes além do futebol e tem procurado investir, dentro de suas limitações econômicas. O remo sempre foi um esporte de destaque para o país, já que sempre conquistou muitas medalhas internacionais, sendo em pan-americanos, sul-americanos, mundiais e ou olimpíadas.
O país tem uma dívida com o remo e vem procurando pagar-la, falta ver o que vai dar, esperamos que seja saldada logo, assim o remo argentino e sul-americano agradece.

Regata na Argentina.

Fala galera do Blog.
Estou comunicando que o Blog ficara parado por alguns dias, por que vou viajar para competir na Argentina.
Depois de muito tempo sem competir internacionalmente, vou poder defender tanto meu clube quanto meu país em uma regata que comemora os 198 anos da Guarda Costeira Argentina.
A regata será no Delta do Tigre, em Buenos Aires. Apesar do frio que anda fazendo por lá, o evento promete ser muito legal, por que serão realizadas provas em todas as categorias, somando mais de 30 provas, que deve se estender durante todo o dia do Domingo (29/06).
Vou competir na categoria Peso-Leve no Single Skiff contra outros 9 barcos de atletas argentinos, por conta disso, para mim, a competição começara no Sábado, quando serão realizadas as eliminatórias e repescagens para a final de domingo.
Se puder, vou tentar escrever de lá, contando um pouco de como é o remo na Argentina, a estrutura e tudo mais. Se não for possível quando voltar, escreverei e contarei tudo, podendo então comprovar que o remo lá é levado muito a sério.
Torçam bastante por mim, para que possa voltar com uma medalha no peito!
Abraços a todos.
Matias

Gestões, Coragem, União e Remo...


Pode-se atrelar o sucesso de um país em determinado esporte a uma simples gestão inteligente.
Quando se tem pessoas que pensam para frente, consegue-se modificar a história e também distorcer todos os problemas e injustiças.
Bom, serei mais claro, estamos falando, mais uma vez, sobre remo. Desde o dia 16 até o dia de ontem foi realizado na Polônia, a última classificatória olímpica, onde algumas vagas sobressalentes foram colocadas em disputa.
Quando me referi à gestão esportiva, queria justamente colocar em paralelo com o que vi nesse campeonato classificatório para Pequim. Ou melhor, o que não vi, principalmente tratando-se de Brasil.
Vou me apegar para explicar meu ponto de vista em três países, que vivem momentos semelhantes no Remo. Brasil, Argentina e Portugal.
O Brasil conseguiu este ano classificar 4 barcos, feito importantíssimo para o esporte, principalmente por ter conseguido classificar barcos em 100% das vagas disponíveis para a America Latina.


A Argentina, por sua vez classificou 2 barcos, dois Single Skiff’s, masculino e feminino, sendo que no masculino com Santiago Fernandes, que na última olimpíada conquistou a 4° colocação, classificou-se via mundial em 2007.
E Portugal, que se pode dizer que em termos de remo, é um “país latino” dentro da Europa, até ontem não tinha conseguido nenhuma vaga.
Cenário montado, vamos lá, aonde quero chegar.
Nas olimpíadas o remo tem um grande espaço, até por ser um esporte muito tradicional que está presente desde a primeira olimpíada da era moderna em 1896. São no total, juntando o Masculino e o Feminino, 16 medalhas de ouro há serem disputadas, com certeza um fator determinante para a corrida no quadro geral de medalhas.
Mas essa tradição toda pertence à Europa e alguns outros países, como EUA, Canadá, Austrália, China, etc. Países asiáticos, latinos-americanos, africanos não têm a menor chance e são absurdamente discriminados em oportunidades de classificação.
Para se classificar para os Jogos, a FISA (Instituição Internacional responsável pelo Remo), “montou” classificatórias olímpicas por zonas (continentais), os famosos pré-olímpicos. Mas com algumas provas, em geral, barcos pequenos, como o Single Skiff e o Double Skiff (um e dois remadores). Sendo que existem 6 tipos de barcos.
Outra oportunidade para classificar, é no último mundial antes dos Jogos, onde são abertas algumas vagas, onde em sua maioria ficam com os países europeus, que além de competirem em casa (os mundiais e copas do mundo sempre são na Europa), tem melhores condições de material e também treinamento.
Depois do mundial e dos pré-olímpicos, sobra essa competição que aconteceu essa semana, que em geral abrem-se 2 vagas por prova, ficando ainda mais difícil a classificação para um latino-americano.
O grande problema é que países com menos condições financeiras e como não dizer, com planos gestores incompetentes, não conseguem formar bons barcos e manter-los treinando para competir de igual para igual com os europeus e conseguir classificar lá fora.
A grande injustiça do esporte é justamente não haver oportunidades para classificar barcos “grandes” nos pré-olímpicos continentais, há anos um país latino-americano não consegue classificar uma guarnição grande para os Jogos, o último a conseguir esse feito, foi à Argentina em Sidney 2000.
Voltando a grande diferença de pensamento e gestão entre os três países que expus anteriormente, a Argentina e Portugal procuraram prepara-se para o mundial e último pré-olímpico realizado essa semana.
Não se contentaram em apenas pegar as migalhas dos países europeus, tentaram buscar lá fora, em terras estrangeiras as vagas olímpicas. Sinal de coragem e também de uma visão diferente, que visa justamente, o alto nível.
A Argentina preparou dois barcos para o pré-olímpico final, um Four Skiff (quatro remadores com 2 remos cada) e um Quatro sem timoneiro (quatro remadores com um remo cada). Portugal enviou um Double Skiff Peso Leve e o Brasil, não LEVOU NINGUÉM!
Os barcos argentinos chegaram até a final, sendo que o Quatro Sem ficou em 4° Lugar e o Four em 5°, não conseguiram as vagas, que eram apenas duas por prova. Mas chegaram muito perto. As bases desses barcos são de remadores jovens com vinte e poucos anos, que estão ganhando experiência e aprendendo, para daqui uns anos, conseguirem quebrar esse jejum e desafiar os gringos classificando em suas águas.
Portugal conseguiu classificar o Double Peso Leve, ficou em 2° lugar e conseguiu quebrar um jejum de 3 olimpíadas sem representantes no remo. O trabalho feito com essa guarnição veio desde a base, colocando para competir desde as divisões inferiores (em termos de idade). Deu resultado, para falar a verdade um ótimo resultado.


Já nosso Brasil, não preparou ninguém. Tivemos um pan-americano no Rio durante o ano passado onde foram criadas diversas guarnições, que poderiam ter sido mantidas e levadas para tentar classificar. Mas além da classificação, importante seria estar lá fora, mostrando interesse por vagas que não estão disponíveis a "nível latino", e também dando experiência a nova geração que esta surgindo.
Tudo isso é questão de gestão.
O Brasileiro tem por costume se acomodar, a falta de cultura em disputar provas lá fora é impressionante. Os brasileiros vão competir na Europa, em etapas da copa do mundo e até mesmo nos mundiais em anos olímpicos, e nada mais.
Dessa forma se cria um abismo entre o remo internacional e o nosso frágil remo. Um abismo técnico e psicológico e quando finalmente o brasileiro tem contato com o mundo exterior, BUM, fica tão impressionando com o nível estrangeiro que não consegue desempenhar com qualidade, amargando sempre as últimas colocações.
Não consigo entender por que não se criam planos olímpicos, para investir em uma nova geração, para que em alguns anos, visando longo prazo para resultados (detalhe difícil de aplicar em um país afoito por resultados) possamos estar entre os melhores, conseguindo “roubar” vagas dos europeus e norte americanos.
Dinheiro? Temos, com certeza, apenas temos que usá-lo de forma correta.
Material e estrutura? Temos também, pode nãos ser como lá fora, mas temos equipamento de boa qualidade em nosso país.
Profissionais competentes? COM TODA A CERTEZA!
Remadores? Sim, temos uma nova geração muito forte, e com muita vontade de vencer, de conseguir resultados. Só faltam oportunidades para essa garotada mostrar as caras lá fora.
Falta coragem e um plano real para nosso país, que vise à melhoria do esporte, com honestidade, dedicação e respeito, dando oportunidades reais para a nova geração de remadores que esta surgindo.
E para finalizar, também podemos citar a falta de união entre os países latinos-americanos, que talvez se fossem fortes como entidade esportiva, poderiam já a tempos, ter conseguido mais vagas para a nossa Zona Latina.
Fica ai, algo para pensar...

O retorno de um "monstro"


Tenho certeza que muita gente nunca ouviu falar nesse “monstro” de 2 metros de altura e quase 100 kg de puros músculos, para falar a verdade, me arrisco em dizer que você nunca ouviu falar dele.
Mas no mundo do remo ele sempre foi um espelho e com certeza uma fonte de admiração. Ele conquistou o mundo muito cedo e também o abandonou prematuramente. Mas para aqueles afortunados amantes do remo, ele voltou, e voltou com tudo.
Seu nome é Rob Waddell, Neozelandês, duas vezes campeão do mundo e campeão olímpico.
Em Sidney 2000, ele assombrou o mundo com apenas 25 anos. Venceu a prova do Single Skiff Masculino, contra um Suíço chamado Xeno Miller, que havia vencido as olimpíadas de Atlanta na mesma prova.
Rob que havia faturado as duas edições do mundial de remo em 1998 e 1999, devastou a olimpíada com um desempenho indiscutível. Só que depois dos Jogos ele sumiu, se retirou do esporte e deixou saudade.
No começo do ano ele ressurgiu das cinzas, com um ritmo incrível tentou classificar-se para o Single Skiff novamente, tentando roubar a vaga do atual Tri-Campeão mundial, o compatriota, Mahe Drysdale. Depois de muitas competições entre eles, Mahe se afirmou como titular, com um resultado surpreendente de 3 vitórias contra 2 de Waddell.
Sonho olímpico terminado? Não. Quem não iria querer aproveitar um remador excepcional como este? Logo arrumaram um cantinho para ele.
Agora esse "pequeno monstro" neozelandês é o proa do Double Skiff de seu país. Com alguns meses de treino sobre esse barco (me arrisco em dizer que não devem passar de 2 meses) eles estrearam na 2° etapa da Copa do Mundo realizada neste final de semana passado (1 de Junho) em Lucerna, Suíça.
Você arrisca dizer o resultado? Vitória indiscutível, desbancando os atuais campeões mundiais e atuais lideres da Copa do Mundo, um barco inglês.
Hoje com 33 anos, Rob Waddell e seu parceiro tornaram-se favoritos a uma medalha olímpica, com certeza dourada. Pena daqueles que irão enfrentá-lo em Pequim.

O verdadeiro retorno - Parte 3, um novo começo.


Não foram apenas os gritos de apoio, não foram apenas remadas em busca da linha de chegada, não foi apenas uma regata contra adversários regulares, FOI um verdadeiro retorno as raias paulistas em uma prova dura e cheia de emoção, raça e superação.
Hoje o objetivo não era apenas lutar para vencer a prova, era vencer a mim mesmo, era voltar, voltar a remar junto dos melhores e tentar, claro, não fazer feio. (Fazer feio hoje seria desistir antes da linha de chegada e isso não aconteceu).
Durante o aquecimento comecei a pensar no que me levou até aquele dia, de tudo que havia mudado em minha vida para voltar a ser um atleta de ponta, tudo passou tão claro pela minha mente, como um filme, um “clipe” da minha vida.
A verdade que ao olhar para Renan, João e Jairo, imaginei que triste seria se eu não estivesse ali naquele momento. Muitos pensam quando estão alinhando numa famosa frase: “O que diabos estou fazendo aqui?”. Hoje meu pensamento era: “OBRIGADO, POR ESTAR AQUI HOJE!”. Não existia outro lugar no mundo que gostaria de estar naquele momento senão ali, alinhado contra os melhores.
São sim os melhores, qualquer um desses remadores poderia se tornar o melhor no Single Skiff no Brasil. Era como uma mini-final Nacional e não via a hora do juiz dar a largada.
“Atenção... Prontos... SAI!” Foi dada a largada para mais uma regata, qual foi o número desta? Não faço idéia, mas gostaria de saber, por que sem dúvida essa teve um gosto especial.
Larguei em último, não me interessava pelos adversários, sabia que eles estavam travando suas próprias batalhas, assim como estava “gladiando” comigo mesmo. Tinha que manter o melhor ritmo possível, com a melhor passagem dentro da água (força a cada remada), essa era minha luta.
Olhava apenas para frente, para o começo da raia, que a cada remada ficava mais longe, impulsionado pelos gritos “insanos” de um velho amigo eufórico, que na margem oposta me acompanhava com sua bike ansiando e torcendo muito por uma boa prova.
Os metros foram se somando, da última colocação eu fui me distanciando e aos poucos, de remada em remada fui tomando o lugar de outros barcos. Estava perto dos lideres, sentia que poucos segundos me separavam dos melhores.
Foi quando, pouco depois dos 1000m (metade da prova) eu comecei uma nova batalha, agora tinha 2 adversários. Eu mesmo e um ex-parceiro de clube, mas grande amigo.
Travamos uma batalha até o final pelo 3° Lugar, até o final. Desta vez ao cruzar a linha de chegada tinha certeza que fiz o meu melhor, o melhor que podia ter feito hoje. Estava cansado, com os braços pesados e pernas doloridas. Todos estavam assim... Simplesmente, cansados.
No dia de hoje, me reencontrei comigo mesmo, depois de muito tempo, lembrei-me um pouco de que sempre fui, um guerreiro. Hoje apenas queria terminar a prova, por que para mim já era uma honra dividir a raia com outros 3 grandes guerreiros do remo brasileiro, e poder fazer parte desse seleto grupo mais uma vez, foi espetacular.
Comprimentos sinceros, do meu PARCEIRO-TÉCNICO Acácio, que me treina diariamente e acredita tanto em mim... Como foi bom poder ver na cara dele uma satisfação, um “orgulho”, que toda a dor e sofrimento da prova, logo sumiram no primeiro abraço ainda no pontão.
Agora sentado aqui, em frente do computador, com a pasta das fotos (tiradas hoje) aberta, com a trilha sonora do Rocky tocando em alto e bom som e com a medalha na minha frente... Uma medalha bronzeada que me mostra agora e vai me lembrar sempre como foi bom voltar, como foi bom mudar, como valeu à pena enfrentar meus medos para estar ali hoje, no lugar que mais gosto, entre os melhores...
Um verdadeiro retorno, posso dizer que estou de volta, ainda falta muito para “voltar a ser campeão”, mas hoje sei que fui campeão da minha prova particular e com isso, foi dado um primeiro-grande passo, ou melhor, a primeira-grande remada para chegar lá...
OBS: Obrigado à meus amigos, que tanto me incentivam, nunca vou me esquecer de cada palavra, de cada grito e de cada gesto sincero, essa “vitória” de hoje é dedicada a VOCÊS!

O verdadeiro retorno - parte 2.


Chego a raia olímpica da USP lá pelas 7 horas da manhã. Estava fazendo uns 13 graus de temperatura, e um ventinho já começava a soprar. Não tinha sol, estava nublado, com cara de chuva.
Resolvi ficar um pouco sozinho, queria curtir cada segundo daquele dia que sabia que seria especial. Sentei-me na margem da raia, todo agasalhado (literalmente encapotado) para me proteger do frio.
Fiquei observando os barcos passando e tentando esvaziar a mente. Depois de uns 40 minutos sentado ali, sozinho, levantei e fui me aquecer. Difícil se aquecer naquele frio todo, mas depois de alguns minutos o corpo finalmente entrou em calor.
Depois disso era encarar o vento e os adversários.
O sistema de classificação é simples, os 10 barcos foram divididos em duas baterias com 5 barcos cada. O primeiro de cada bateria se classifica direto (sem necessidade de uma repescagem). Os outros disputam uma repescagem para completar os 6 barcos que irão para a final.
Dos 10 barcos inscritos, apenas 8 compareceram. Os dois desistentes foram do clube Pinheiros, um por trabalho e outro por um acidente que afetou sua saúde. Dessa forma, a repescagem seria realizada em uma única bateria classificando os 4 primeiros.
Estava na bateria mais complicada, com remadores fortes, experientes e melhores treinados que eu no momento. No fundo queria classificar direto, mas ao ver meu amigo e ex-parceiro de clube, Renan de Castro voando baixo na saída, sabia que seria difícil pegar-lo, ainda mais com um vento contra que já soprava bem forte.
Não deu outra, classificação para o Renan e repescagem para mim, algo que já era esperado.
Cerca de 1 hora depois da eliminatória fui disputar a repescagem. Tinha que ficar entre os 4 primeiros para ir para a sonhada e desejada final do Campeonato Paulista.
O vento estava soprando bem mais forte que antes.
Foi dada a largada e o antigo rival do Clube Pinheiros, hoje muito mais amigo do que rival (ou “inimigo”) e favorito para vencê-la a prova, saiu forte, já buscando o primeiro lugar. À contrário da eliminatória larguei mais cadenciado, preocupado para não me desgastar demais.
O Jairo fechou em primeiro e eu fiquei com a segunda colocação com um barco de desvantagem para o vencedor.
Depois de 2 descidas de raia, de muito suor e força classifiquei para a final do dia 17, continuando o sonho de retornar bem a prova que mais gosto de competir.
Minha torcida? Estava lá como sempre, marcando e incentivando cada remada, e como não podia deixar de ser, com muito bom humor depois da prova. Obrigado a todos, sei que não é fácil levantar cedo em um sábado de frio! Semana que vem tem mais...
OBS: Dedico à regata de ontem e todas as outras a minha mãe, por que sem ela nada disso seria possível. O sonho continua vivo, mãe... Obrigado por tudo... E feliz dia das Mães!!!

Brasileiros na Copa do Mundo de Remo

Tiago Gomes e Tiago Almeida, Double Peso-Leve.
Durante este final de semana se realizou a primeira competição a nível mundial no remo, antes das olimpíadas. A primeira Etapa da Copa do Mundo, realizada em Munique, Alemanha.
O Brasil esteve lá, como forma de preparação para os Jogos, as 4 guarnições classificadas aproveitaram o evento como uma avaliação do trabalho que vem sendo realizado.
Dos 4 barcos brasileiros pode-se destacar o Double Peso-Leve Masculino que finalizou a competição com uma boa participação, o 12° lugar. O Double tem como principal meta para os Jogos a Final B (de 7° a 12° lugar), e esse resultado na Alemanha animou à dupla:
“O objetivo do Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim é participar da final B. Acredito que na próxima etapa, na Suíça, podemos ir ainda melhor”, diz Thiago Almeida (estreante em Olimpíadas) - remador do Double Peso-Leve.
Já o resto da equipe não teve resultados tão positivos. Anderson Nocetti que havia iniciado bem a competição no Single Skiff Masculino, não conseguiu manter o desempenho inicial e acabou terminando com a 17° colocação.
Mas o verdadeiro sinal de alerta foi com as meninas, tanto no Double Peso-Leve Feminino quanto no Single Skiff, às meninas foram mal, amargando as últimas colocações, no caso do primeiro barco, a última colocação.
Com dois 20° lugares, a equipe feminina deve ter percebido que alguma coisa não vai bem, e com certeza, junto de toda a equipe de treinadores devem procurar melhorar esses erros para o próximo desafio, que será no final do mês em Lucerna, Suíça, para justamente não repetir esses resultados tão negativos.
Continuaremos de olho e na torcida pela equipe brasileira na Europa, que já devem estar retornando a Sevilha onde a seleção se mantém concentrada.
Obs. Antony Bonfim é o mais novo classificado para Pequim no Remo Adaptado, com um expressivo segundo lugar (Medalha de Prata) na Copa do Mundo de Munique, o Baiano carimbou seu passaporte para os Jogos. Agora o Brasil conta com 4 barcos fortíssimos que lutaram por medalhas na Paraolimpíada na China.

O verdadeiro retorno - parte 1.

Começa agora nesse final de semana uma longa batalha pelo título paulista na prova mais disputada do remo neste estado, o Single Skiff Sênior (Barco individual com peso livre).
Com barcos dos Clubes, Atlético Paulistano, Esporte Clube Pinheiros, Corinthians e Clube de Regatas Bandeirantes, totalizaram-se 10 embarcações com nomes importantes do remo Paulista.
Estão inscritos, 2 medalhistas no Pan-Americano do Rio de Janeiro (ainda somando mais dois remadores que fizeram parte da seleção nos Jogos), campeões brasileiros e remadores campeões estaduais.
Nesse sábado dia 10 a partir das 9 horas da manhã, serão realizadas duas etapas de eliminação (eliminatórias e repescagens) para a definição da grande final que será realizada no dia 17, onde restarão apenas 6 barcos.
Estarei nessa prova, defendendo pela segunda vez as cores do Clube Regatas Bandeirante, em um retorno a prova que me consagrou em 2004, quando venci o Troféu Brasil de Remo.
Apesar de um passado bom nessa prova, fazem 3 anos da última vez que me vi alinhado em uma prova como esta. Foi no dia 14 de Maio de 2005, também em uma etapa do campeonato paulista, porém a prova era Sub-23 anos.
Esse retorno será marcado por uma prova de altíssimo nível, com os melhores remadores do momento no estado de São Paulo. Nesse sábado se poderá ver, belíssimas provas, como uma prévia da final do dia 17 que com toda a certeza, será imperdível.
Vale a pena conferir, este sábado, na raia olímpica da USP a partir das 9 horas da manhã!

Chama da mudança ou mais do mesmo?

Talvez as coisas estejam começando a mudar, ou apenas seja uma “chama olímpica” que se apagará em poucos meses, mas apesar da dúvida, é muito bom poder ler sobre remo na página do UOL mais de uma vez por semana.
Pois é, a assessoria de imprensa da CBR, Confederação Brasileira de Remo, esta mandando muito bem na divulgação dos trabalhos realizados e também dando noticias atualizadas do estado dos atletas convocados para Pequim.
Os atuais 6 atletas (3 homens e 3 mulheres) estão embarcando essa semana para um período de preparação para os Jogos, onde vão ficar um pouco mais de um mês fora. A primeira parte dessa viagem será na Espanha onde os atletas irão fazer uma adaptação ao clima europeu visando duas primeiras etapas da copa do mundo de remo (no total são 3 etapas).
A primeira etapa será em Munique na Alemanha, dos dias 8 a 11 de maio e a segunda etapa será na tradicional raia de Lucerne, Suíça dos dias 30 de maio a 1° de junho, depois desse ciclo de competições os atletas devem retornar ao Brasil antes de ir para a China.
Mas esse ciclo europeu é fundamental e tão necessário para o desenvolvimento do atleta, que o próprio remador Anderson Nocetti que representou nas duas últimas olimpíadas o Brasil no Single Skiff, reconhece:
“Para mim será importantíssimo, pois desde as Olimpíadas de Atenas 2004 que não disputo uma regata internacional no Skiff. Me dediquei à seleção nos últimos anos no Dois Sem, Four Skiff, Double Skiff e Oito Com. Espero aproveitar a chance para conhecer meus adversários”. (retirado de entrevista, UOL Esportes)
Bom, que a verdade seja dita: é um absurdo os atletas chegarem ao ano olímpico sem o conhecimento de seus adversários. Essa é a grande diferença quando se fala de remo Latino-Americano quando comparado com o resto do mundo. Seja por falta de grana ou por falta de planejamento, os atletas chegam aos Jogos totalmente crus, sem experiência, e ai meu amigo, fica muito mais difícil.
Claro que dentro da equipe Brasileira existem remadores com experiência olímpica, mas essa experiência, como o próprio Anderson “disse”, esta ultrapassada em 4 anos, já que é esse o tempo que ele não compete internacionalmente na prova.
O Brasil participou ano passado de uma ou duas provas na Europa, visando à preparação para o Pan no Rio, mas foi só! É pouco para um país que quer ser grande no esporte.
Agora as coisas começam a engatinhar para outro sentido, com a ajuda de uma parceria realizada com técnicos da seleção Francesa de remo e do COI (em um programa chamado Solidariedade Olímpica), através de cursos e palestras parece que as coisas começaram a mudar.
Com planejamentos, treinamentos adequados (a realidade nacional), empenho de dirigentes, material de primeiríssima e seletivas nacionais com maior freqüência, a CBR começa a mostrar uma nova cara, nossa torcida é que não dure apenas o tempo que a chama olímpica esteja acessa em Pequim e sim que dure por muito tempo, afinal é a única forma de deixarmos de ser meros coadjuvantes nos Jogos e passar a desenvolver campeões!

Antigos Heróis.



É impressionante a capacidade que temos de esquecer a nossa história. Ou até melhor dizendo, de não conhecer-la (leia isso como falta de vontade de conhecer).
Isso não é só no esporte, é fácil, pergunte por ai um pouco da história de nosso país, sobre revoluções, personagens, lideres e verdadeiros heróis, com certeza algumas desculpas do gênero “Não tenho obrigação de saber” ou a melhor “não era nascido na época” vão surgir.
Um exemplo prático é a seleção brasileira de futebol que não sabe quem jogou e venceu a copa de 1958, o primeiro título mundial do Brasil, sem comentários (que esta completando 50 anos hoje).
Mas isso acontece muito, um atleta chega a um ponto de destaque e não conhece a história de seu próprio esporte, quem foram os grandes campeões ou que abriram as portas (para que hoje ele esteja nessa posição). Culpa própria e também por não existir a cultura de manter vivo nosso passado (falta de divulgação na mídia).
A verdade que sempre quis saber quem foram os melhores no meu esporte, o Remo, posso dizer que é bem difícil conseguir informações, mas depois de vasculhar um bocado sempre se encontra alguma coisa.
Logo depois que voltei a remar, no clube Bandeirante, fui convidado para tomar café da manhã com uma turma de veteranos, só que eu não fazia a menor idéia de quem eram de verdade cada um dos 3 “velhos” que estavam dividindo a mesa comigo. Ou melhor, que eu dividia com eles.
Eram 3 veteranos do esporte, com alguns quilos a mais. Logo as histórias começaram a aparecer. Eu conhecia alguns deles e “sabia” que tinham sido bons remadores, mas nada além disso. Bom resumindo, junto com os copos de café surgiram comentários que despertaram minha curiosidade.
De pergunta em pergunta e pesquisando um pouco nos resultados históricos consegui descobrir algumas coisas...
Um deles, chamado Luis, era um colecionador de títulos regionais (em uma época bem diferente de hoje, existia o Clube Tiete e o Espéria era fortíssimo) e títulos brasileiros. Mas o impressionante mesmo era que tinha tomado café da manha com dois dos melhores remadores do Brasil de todos os tempos. Vitor Hime e Andre Berezin.
Esses remadores eram atletas olímpicos. Remadores de uma época dourada no remo brasileiro, comandada pelo “general” Buck (para uns o melhor técnico de remo de todos os tempos).
André foi 7° lugar nas olimpíadas de Los Angeles em 1984 no Quatro com Timoneiro (prova que foi retirada dos Jogos) junto de Luis Alfredo (remador do clube Bandeirante). Foi o melhor resultado Brasileiro nessa prova de todos os tempos.
Já Victor Hime, junto de seu parceiro Ângelo Neto, teve o melhor resultado que o Brasil já teve em olimpíadas, em Los Angeles ficaram com o 4° lugar na prova do Dois com Timoneiro (a prova mais rigorosa do remo), após de uma classificação heróica. Na repescagem classificava-se apenas o primeiro, e nos últimos metros com um sprint insano saíram do 3° lugar diretamente para a grande final.
Vitor Hime também tinha competido nas olimpíadas de Moscou com um 8° lugar na prova do Quatro com Timoneiro.
Estou na raia há quase 12 anos e não sabia dessas histórias e ainda faltam tantos detalhes. A verdade que ainda existem milhares de histórias sobre cada esporte, mas é tão difícil ter acesso, se cada um fizesse um pouquinho, não deixaríamos nossos heróis morrerem no esquecimento, e com certeza não teríamos que ouvir as barbaridades dos jogadores da seleção de futebol (Ignorantes)!
Como são as coisas, depois de muito pesquisar encontrei vídeos no YouTube que retratam um pouco dessa história, encontrei vídeos que mostram os melhores do Brasil e a prova tão intensa do Dois com Timoneiro de Vitor Hime. Curtam, vejam e revivam os melhores momentos do remo brasileiro.
Obs. Não poderia deixar de comentar mesmo que de forma previa (tenho interesse de escrever mais a fundo sobre esses personagens do remo brasileiro) dos Irmãos Carvalho, os melhores remadores de 2- que o País já teve, detentores do último ouro Pan-americano conquistado há muitos anos atrás em Caracas 1983.