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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A beira da morte.


Como a falta de planejamento pode acabar com sonhos e com uma história que vinha sendo construída com muitos saques, suor e vitórias.
Jaime Oncins, Fernando Menigeni, Guga, são alguns dos jogadores que marcaram o mundo com suas vitórias e com seu talento, representando sempre com muito orgulho e força as cores da bandeira brasileira.
Mas hoje após de anos de destaque, o tênis brasileiro se vê próximo da morte. A imagem do esporte no Brasil não poderia ser pior, ainda mais com o “último dos moicanos”, o Guga se aposentando por conta das lesões sofridas ao longo da carreira.
Por que digo que o tênis esta a beira da morte? Por alguns simples motivos:
Primeiro, por que o Brasil, ou melhor, a CBT (Confederação Brasileira de Tênis) não soube aproveitar os ótimos jogadores que teve para popularizar de vez o esporte e criar, cuidar e apoiar novos talentos.
Segundo, por que o último bom resultado de um brasileiro no circuito mundial foi em 2004. Bom resultado para não dizer razoável, afinal não se tratava de um Grand Slam ou coisa parecida.
Terceiro, por que o Brasil hoje se encontra na 3° divisão da Copa Davis (campeonato disputados por seleções nacionais).
Quarto é mais importante motivo, por que não temos nenhum representante classificado para os Jogos de Pequim.
Esse último motivo é o que me motivou a escrever sobre este assunto. Lendo uma reportagem sobre o atual momento do esporte no cenário mundial no Site UOL Esportes, fiquei interado que o Brasil apenas conseguirá classificar um tenista para a chave de simples caso receba um convite da Federação Internacional de Tênis. Um Absurdo, diga-se de passagem.
O torneio olímpico de simples será disputado com 64 atletas, sendo que 56 se classificam diretamente pelo ranking mundial e 8 vagas serão oferecidas por convites. Destes oito convites, um deve ser destinado a America do Sul, no caso mais provável o Brasil.
O Brasil esta entre os mais cotados simplesmente por que os outros países terão (provavelmente até os Jogos) representantes em Pequim. Argentina, Uruguai, Equador, Colômbia, Chile e Peru. Sendo que destes, três já têm tenistas classificados, caso da Argentina, Chile e Colômbia.
Caso o convite não seja dado ao Brasil, será a primeira vez desde Seul 88, que o país ficara de fora dos Jogos na modalidade. Ainda existe uma esperança com os tenistas Marcos Daniel e Tomaz Bellucci que são os melhores brasileiros no ranking, porém bem atrás do último classificado até então para Pequim e também com Guga que pelo seu carisma e histórico poderá receber um convite da Federação.
Acredito que o tênis brasileiro esta pagando pela falta de competência. Um esporte que é praticado de forma totalmente independente, abandonada e sem apoio da confederação. Onde os atletas se custeiam para viajar e competir. Sei que muitos os tenistas do circuito internacional passam por problemas semelhantes, mas pode ter certeza que nossa realidade não é igual à maioria dos jogadores europeus ou norte-americanos.
Essa realidade financeira e de oportunidades barra logo de cara jogadores que não vem de famílias ricas ou de classe média. Quantos talentos será que não perdemos por conta da falta de incentivo? Ou vai me dizer que na periferia não existem bons potenciais tenistas?
Realmente é complicado esperar resultados dessa forma. Viajar pelo mundo, competindo é difícil, ainda mais sem apoio, agora, talvez se o modo como é tratado esse esporte no país mudasse, o tênis poderia voltar a brilhar.
Por que não se pode montar um centro de treinamento no Brasil, ou melhor, formar uma seleção permanente, uma seleção de base com a garotada? Onde os jogadores pudessem treinar melhor e viajar para os torneios, melhor preparados e com um suporte da CBT, ainda dar oportunidades a crianças e jovens menos favorecidas?
É tão mais fácil fechar os olhos e rezar por um convite do que realmente botar a mão na massa e trabalhar para reverter todos os problemas do esporte no país?
O reflexo da falta de competência de uns será sem a menor duvida a vergonha de muitos outros.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O adeus de um ídolo.


Nascia no dia 10 de setembro de 1976 um garoto em Santa Catarina, na paradisíaca Florianópolis que se tornaria um ídolo nacional e mundial.
O Manezinho da ilha (como são chamados os nascidos na ilha de Florianópolis) que poderia ter virado surfista (grande paixão), optou pelo tênis logo quando tinha seus primeiros 6 anos de idade, onde já despontava todo seu talento e futuro.
Gustavo Kuerten, o Guga, conquistou o mundo com seu jeito despojado e sorriso aberto e claro, com seu espetacular talento.
No ano de 1997, ainda com 20 anos, Guga venceu um dos principais torneios do mundo e o mais importante das quadras de Saibro, o Roland Garros em Paris. Seu jeito moleque com cabelos compridos e seu enorme carisma logo conquistaram o Brasil e o mundo.
Em 1998 Guga venceu outros dois importantes torneios, em Stuttgart e Mallorca o deixando entre os 10 melhores do mundo, mas seria em 2000 que Guga deixaria definitivamente seu nome na história do tênis mundial.
Com o Bicampeonato em Roland Garros e a vitória no Masters Cup (torneio que reúne os 8 melhores do mundo) renderam-lhe o inédito primeiro lugar no ranking mundial, feito que duraria 43 semanas.
Guga ainda venceu mais uma vez Roland Garros, em 2001, quando desenhou no piso de saibro um coração e caiu em uma mistura de cansaço e emoção dentro do desenho de braços abertos, mandando uma mensagem de amor a todos seus fãs.
Mas sua vida mudaria drasticamente quando uma lesão no quadril o afastou das quadras. Passou por cirurgias delicadas e depois disso nunca mais voltou a jogar como antes, por conta de dores fortes. Foi alvo da mídia que o crucificou em muitas oportunidades quanto a seu desempenho, esquecendo os feitos anteriores e criticando duramente suas atuações.
Após de um retorno “fracassado” e de duras criticas Guga acabou se rendendo e anunciou no dia de hoje, dia 15 de janeiro de 2008 aos seus 31 anos, que esta será sua última temporada, onde irá disputar alguns campeonatos que julga especiais e depois ira se retirar dos campeonatos profissionais.
“Esta é uma última chance de jogar alguns torneios que considero especiais, e das pessoas me assistirem, além de tentar reviver um pouco daqueles grandes momentos". Disse Guga em entrevista ao globo esporte.
Ao longo de sua carreira Guga conquistou 20 títulos de simples e 8 de duplas, sendo que dos 20 títulos conquistados na categoria simples, 14 foram conquistados no Saibro, marca que lhe confere até hoje como maior vencedor nesse tipo de quadra junto de Carlos Moya. Outro recorde interessante é que Guga foi o único a vencer Andre Agassi e Pete Sampras de forma seguida dentro do mesmo campeonato.
Números de uma carreira brilhante em um esporte exigente, aonde chegar ao topo é difícil e manter-se lá é quase impossível.
Pena que as lesões que Guga teve ao longo de sua vida mudaram drasticamente seus sucessos e sua carreira, por que hoje durante a entrevista Guga deixou escapar de forma triste que se não fosse pelos problemas de lesões ele ainda jogaria por muitos anos, e com certeza jogaria muito!
Valeu Guga, parabéns por todos os grandes momentos, pelas grandes vitórias e que este ano, o último ano, muitos desses momentos voltem a sua mente, trazendo o sentimento de missão comprida e de paz, para uma aposentadoria merecida e tranqüila quanto ao seus feitos.