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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Entrevista - Luciana Granato


Luciana Granato é uma das 3 mulheres que compõem a equipe brasileira de remo. Há 4 anos atrás o Brasil classificava sua primeira mulher para os Jogos Olímpicos, o nome era Fabiana Beltrame, hoje é a veterana desta equipe ao lado de Anderson Nocetti e Tiago Gomes.
Luciana é remadora do clube Atlético Paulistano, aqui de São Paulo, tem 30 anos e chega a sua primeira olimpíada ao lado da sua parceira Camila, onde juntas remam o Double Skiff peso leve.
Formada em Análise de Sistema e Administração, mostra maturidade ao chegar a seu maior momento dentro da carreira e muitas expectativas. Com muita humildade me deu uma enorme atenção e aceitou responder algumas perguntas que fiz, diretamente de Pequim, o resultado foi essa incrível entrevista que lhes apresento agora:

Blog: Conta um pouquinho da tua infância, existiram dificuldades ou não, tua família te apoiou no esporte?

Luciana: Meu primeiro contato com esportes foi em um clube de bairro onde fiz natação, jazz e ioga.

Na oitava série meu professor de educação física me convidou para fazer um teste de atletismo no centro olímpico de treinamento e pesquisa, pois perdia a corrida apenas para um menino do colégio. Foi a partir desse momento que comecei a treinar.
Sempre tive apoio da minha família em todos os momentos. Meu pai quando era jovem jogava futebol e sempre foi um apaixonado por esportes.
Treinei por 11 anos atletismo e parei por diversas lesões e por ter tentado até o último momento fazer algum resultado expressivo que acabou não acontecendo.

Blog: Como você chegou (conheceu) ao remo? E o que fez com que você ficasse?

Luciana: Cheguei ao remo através de um sonho que tive há quatro anos.

Sonhei que “remava” (pois não tinha nem idéia do que era) em um lugar de águas barrentas e bem extensas. Para mim esse momento foi tão real que resolvi ligar para Cristiane (amiga e remadora), pois sabia que ela estava no remo e fui ver um treino.
Quando cheguei à USP tive certeza que aquele lugar que sonhei era ali e comecei a treinar tendo a certeza de que Deus estava me dando à chance de realizar todos os meus sonhos.

Blog: Sua vida dentro do remo foi sempre difícil, sempre lutando, como isso te fortaleceu? Ajudou-te a chegar mais longe?

Luciana: O fato de começar a treinar com 26 anos não me ajudou muito, no início, principalmente dentro de um clube onde a faixa de idade girava em torno de 16 a 18 anos. Mesmo assim, não desanimei e coloquei em minha cabeça que só seria reconhecida a partir do momento que começasse a remar melhor ou tão bem quanto os atletas que lá se encontravam.
Foram momentos de trabalho árduo e uma busca constante de estar melhorando até que chegou o momento de mostrar meu trabalho em março de 2006 nas seletivas de Skiff para o Sul Americano onde acabei perdendo apenas para a Déborah Amorim do Flamengo.
Em outubro ganhei o 2xPL no brasileiro e a partir dessa prova fui para o Sul Americano onde fui vice-campeã.
O que me move a cada treino, seletiva ou competição é minha determinação e vontade de conquistar cada vez mais. Não são conquistas por vaidade como fama, dinheiro ou outras coisas do gênero, é a luta diária por superação, por quebras de paradigmas e por fazer valer tudo a pena. Sempre me lembro da minha família, todas as dificuldades que passei desde a época do atletismo, todos que apontavam para mim e diziam que eu não seria nada e levanto minha cabeça foco nos meus objetivos e sigo em frente.


Blog: Seleção, tirando todos os problemas conhecidos (problemas administrativos, injustiças, etc), como você se sentiu quando vestiu a camisa da seleção pela primeira vez? Foi no sul-americano em 2006 (Argentina)?

Luciana: Foi em Mar Del Plata - Argentina - que vesti pela primeira vez a amarelinha. Para mim foi um momento importante e muito especial, pois estava conquistando um pedaço dos meus sonhos. Estar entre os melhores atletas do país e logo depois da América do Sul foi algo mágico.

Blog: Pan-Americano, um breve comentário sobre os resultados alcançados.

Luciana: O Pan foi um momento complicado e até conturbado. Aconteceram muitas coisas durante a fase de preparação que influenciaram diretamente no desempenho da seleção. Estávamos treinando para grandes resultados e acabou tudo indo por água abaixo.
Particularmente tirei várias lições de tudo e acredito que futuramente as coisas serão diferentes.

Blog: Pré-Olímpico e a vaga para Pequim, o que passou pela tua cabeça?

Luciana: Sai de um Pan Americano desacreditada e muito abatida, pois não esperava uma final tão desastrosa. Mesmo assim, tanto eu como a Camila acreditávamos no barco e não poderíamos deixar de buscar nossa vaga olímpica pelo evento anterior.
Ficamos mais unidas, mais maduras e resolvemos mostrar que nossa parceria valia a pena. Treinamos duro durante dois meses e fomos para o Rio com a certeza que conseguiríamos a vaga. Graças a Deus deu tudo certo e logo após a conquista fiquei tão anestesiada que apenas conseguia pensar no peso que tirei de meus ombros e que tinha que começar logo a treinar para as olimpíadas.

Blog: Treinos, Viagens, Reportagens, “Fama”, esse ano olímpico, já te rendeu frutos fora da água?

Luciana: Sinceramente esperava ter um reconhecimento maior do meu clube na questão financeira. Em contra partida, fui beneficiada com o “bolsa atleta” (Incentivo dado pelo governo federal) que está me ajudando muito nessa fase de preparação e recebi um patrocínio de óculos da Oakley que muito legal.
Esse ano foi muito especial, pois fizemos uma fase do nosso treinamento na Europa, competimos duas etapas da Copa do Mundo e treinamos em altitude.
Os treinos foram bem intensos e o reconhecimento da mídia está ainda muito tímida devido a pouca divulgação da modalidade e pelos resultados apresentados durante toda a história.

Blog: Expectativas para Pequim? Objetivo da dupla? Objetivo Pessoal? Já pensa após Pequim (novos desafios)?

Luciana: Minha expectativa para Pequim é de aproveitar ao máximo o maior evento esportivo e como objetivo ficar entre as 12 melhores do mundo. Tenho certeza que será uma missão bem difícil, mas estou indo com essa meta.
Para 2008 tenho ainda o brasileiro (outubro, em São Paulo) e um Sul Americano (final do ano no Uruguai). Planejo treinar por mais quatro anos e encerrar minha carreira em Londres (palco da próxima olimpíada). Gostaria muito de continuar a parceria com a Camila, mas para isso tenho que passar por novas barreiras.

Blog: Em sua opinião, o que falta para o remo feminino deslanchar no Brasil?

Luciana: Competições internacionais, intercâmbio com clubes europeus e atletas que realmente estejam dispostas a abrir mão de tudo para trabalhar com alto rendimento.

Blog: Algum recado que você queria dar para o Brasil?

Luciana: Sim, gostaria de deixar um recado a todos: Tudo é possível ao que crê.
Acreditem em seus sonhos, olhem apenas para seus objetivos, derrube as muralhas, pois podemos tudo quando realmente acreditamos. Todos são feitos da mesma matéria e o que nos difere é a fé e a vontade de ir além do que pedimos, buscamos ou necessitamos.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Entrevista com Renan Koplewski




Renan Koplewski remador do Clube Atlético Paulistano conquistou no ultimo Pan-Americano realizado no Rio de Janeiro, uma medalha de Prata em sua primeira participação em um pan-americano.
Renan apesar da pouca idade, 20 anos, já é detentor de importantes títulos como o Sul-americano no ano de 2005, realizado no Brasil. E este ano também participou de uma etapa da copa do mundo, como preparação para o Pan.
Este atleta de grande coração bate um papo conosco, contando um pouco de suas experiências e expectativas.


B.O.: Para começar, você poderia nós contar como começou a sua historia no remo, como entrou? O que te motivou a começar nesse esporte?
Renan: Tive varias experiências em vários esportes como: futebol, natação, basquete e outros e não tive muito sucesso neles, queria fazer um esporte diferente, daí lembrei que meu primo mais velho seguindo o exemplo deixado pelo meu avô, estava praticando Remo. Um dia ele me levou até a raia da USP e me apresentou aquele esporte tão diferente, foi amor a primeira vista, gostei tanto do esporte que já estou praticando a 8 anos e meio e me apaixonando mais a cada dia. Tive o apoio da minha família e dos meus amigos que até hoje não deixam de torcerem por mim.
B.O.: Conta um pouco de como foi à preparação para o Pan?
Renan: Nós ficamos concentrados 3 meses em Porto Alegre e 3 meses no Rio de Janeiro, passando por frio, calor, chuva, de tudo um pouco. Foi uma fase muito difícil porque todo dia você tinha que provar o quanto era bom e também o mais preparado para se encaixar dentro dos titulares. Foram muitos treinos exaustivos, às vezes nem sempre tínhamos ajuda com a alimentação, perdi um pouco de peso que fez com que dificultasse um pouco o meu caminho até a seletiva final do técnico da seleção, mas a garra foi tanta que consegui superar esse problema.
B.O.: Como foi saber que seria titular do 4- (quatro sem Timoneiro) e do 8+ (oito com timoneiro) no Pan do Rio de Janeiro?
Renan: Foi uma alegria muito grande. Foi uma sensação de um trabalho bem feito, na hora que eu soube, passou um filme pela minha cabeça de tudo pelo que eu passei sofrimento nos treinos, de levar o corpo ao um limite para melhorar o rendimento, pensei na minha família que sempre esteve do meu lado me apoiando e principalmente no meu irmão que foi um dos grandes espelhos que tive de garra e dedicação para se chegar a um objetivo.
B.O.: Como foi a conquista da medalha de prata? Muita emoção? No que você pensou?
Renan: Nossa fiquei muito feliz, não tenho nem palavras para expressar meu sentimento na hora da chegada, olhei pro lado e vi os EUA comemorando o primeiro lugar, depois eu olho e vejo toda a torcida gritando pelo Brasil e apontando pra você, você nem imagina como eu chorei na hora, é uma alegria que não da para explicar, foi uma conquista que eu nunca vou esquecer, para o resto da minha vida.
Foi prata mas pra mim com certeza vale ouro. Na hora do hino aconteceu uma coisa que em nenhum lugar do mundo, em nenhuma competição aconteceu antes, na hora que recebemos a medalha toda a torcida começou a cantar o hino do Brasil, ué, chegamos em segundo lugar! Pensei. Todos nós, remadores do 8+, nos arrepiamos e não tive como não me emocionar com aquele gesto, só deu tempo de olhar para minha família, para os meus amigos, que estavam presentes e de olhar para o cristo e agradecer por aquela oportunidade.
B.O.: Como esta sua vida após esta conquista, mudou alguma coisa com respeito a patrocínio ou incentivos para a continuidade de sua carreira?
Renan: Mudou pouco, mas foi o essencial para o que eu precisava, já tínhamos um patrocínio com o banco Nossa Caixa, que ajudava com uma ajuda de custo e com o resultado que obtivemos no Pan, o patrocínio continuou. O mais importante é o novo patrocínio que consegui. Vai garantir meu futuro na minha atual faculdade, a UNISA com uma bolsa de estudos integral.
B.O.: E daqui para frente, quais são os objetivos deste ano? E nos próximos anos?
Renan: Esse ano temos o campeonato brasileiro em outubro que com certeza vamos com força total para tentar manter a hegemonia do nosso clube na prova do 2- (dois sem timoneiro). Passando esse campeonato vou montar um projeto que vai visar chegar muito melhor e rendendo mais no próximo Pan, que vai ser no México e na próxima olimpíada em Londres. Claro que buscando conquistar títulos dentro desse período.
B.O.: Qual conselho você daria a um garoto ou garota que esteja iniciando neste esporte e queria chegar a um pan-americano como você?

Renan: Meu conselho é de nunca abaixar a cabeça para as dificuldades que irá encontrar pela frente, tente sempre dar um passo de cada vez, busque se dedicar ao máximo. Vão existir dias que você não vai estar motivado, os treinos serão desgastantes, mas levante a cabeça e tente ultrapassar aquela barreira com o seu objetivo. Sempre me lembro de uma frase durante os treinos que me ajuda a me motivar e tentar sempre buscar um pouco mais de mim para melhorar meu rendimento, “quanto mais você sofrer nos treinos menos sofrerá na competição”, essa frase dá muito certo para mim, porque o segredo do seu sucesso é reflexo dos seus treinamentos, se você treinar sem vontade, sem determinação, sua competição vai ser muito difícil, agora se você treinou duro, consciente e passando por cima de obstáculos, pode acreditar que a vitória é sua.